2016


Português

“O registo de uma superfície é um registo falso do acontecimento. A rede de urgências presentes em determinado tempo são inarquiváveis. A tendência para o acto intangível está sempre presente nas acções dos «praticantes» de arte que caminham numa direcção poética. Porque o discurso não pode ser articulado somente por vias da palavra. O discurso, como já aprendemos, é uma construção de sistemas de poder; e o evento documentado, mais tarde acessível nos arquivos das imagens, é falso em relação à performance que aconteceu. Este é o jogo entre estes momentos, entre tiros perdidos. É o jogo do galo ou um bingo onde o intangível pela repetição constrói o tangível e onde o falso procura uma possível verdade nos seus discursos. Mas também, talvez não seja nada, apenas um homem que se deixa cair de uma árvore, um que pede para que seja alvejado, um que se masturba por baixo de um chão de uma galeria vazia ou um outro que não comenta com a boca cheia de bolo rei. O não-acontecimento, uma falha, ou então uma abertura no centro do entendimento.”

 

O video de Chris Burden já não está disponível na internet. O ensaio está morto como se pode ver wrongwrong.net/artigo/o-falso-intangivel. O único registo existente é este video.

Trabalho desenvolvido com Bruno Humberto durante a residência na Wrong Wrong (Janeiro 2016 / Março 2016).


English

“The imprint on a surface is a fake documentation of the event. The net made of urgencies, present in a given time, it’s impossible to be fully archived.The tendency towards the intangible act is constant in the arts practitioner’s actions, those who walk towards a poetic horizon. Because the discourse can’t be fully expressed only through words. The discourse, has we learn before, is a construction that arises from the systems of power; and the documentation of a certain event, later accessible in the bank of images, is fake in relation to the performance that took place. This is therefore the game between these moments, in between lost shots. This is the game of the «rooster» or a Bingo where the intangible, through repetition, builds the tangible, and where the fake searches a possible truth within its discourses. But also, perhaps it might be nothing, only a man that falls from a tree, another one that asks to be shoot, one that masturbates underneath an empty gallery’s floor or other that doesn’t make any comments with his mouth full of cake. Perhaps a no-event, a crack, or a opening in the centre of the understanding.”

 

The Chris Burden’s video is not available on internet anymore. The essay is dead as you can see wrongwrong.net/article/the-intangible-fake. The only register that remains is a video.

Work developed with Bruno Humberto during the artistic residency for Wrong Wrong (January 2016 / March 2016).


Link en pt